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Binho Marques diz que teve de enfrentar no Acre uma “máquina” chamada Secretaria da Educação

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A experiência do Acre para reverter um sistema educacional que colocava o estado na lanterna da educação brasileira, disputando o  27º lugar com Piauí, Maranhão e Alagoas, foi relatada pelo ex-secretário da área e ex-governador Binho Marques no seminário Maria Aparecida Rodrigues – Políticas Inovadoras para Educação, um dos palestrantes de terça-feira, 5.

“O Acre tinha a pior educação do Brasil em 1999. Conseguíamos ter escolas com bons resultados, de forma isolada, empreender uma ação inovadora, isoladamente dá para fazer. Mas como fazer no sistema inteiro, como mudar a gestão das escolas?”, indagou Binho, ele próprio oferecendo a resposta.

Para trazer a educação do século XIX para o século XXI, assim classificada por ele, teve de enfrentar uma “máquina” chamada Secretaria de Estado da Educação. “É fato, muitos sabem. É muito mais atrasada do que a própria escola; cartorial, dividida, fragmentada, lenta, burocrática. Seus integrantes não trabalham de maneira sistemática nem integrada”, avaliou.

“Muito difícil cuidar de algo que responde por ¼ do orçamento e tem metade dos funcionários pelo menos, e que gasta quase tudo que tem com salários. No Acre, a Secretaria da Educação tinha até fazenda, e não sabia quantas escolas tinha de cuidar”, acrescentou o ex-governador, dizendo que em todo o país a realidade das secretarias da Educação é complexa.

Secretário de Estado da Educação (1999-2002), ele conta que primeiro teve de conhecer o problema que enfrentaria. “Mergulhamos em três aspectos: escolas, profissionais da educação e estudantes”, diz. Foi feito um trabalho de mapear escola por escola em todas as regiões.

“Por incrível que pareça, não se sabia quantas escolas haviam no Acre. Descobrimos 80 no estado do Amazonas e três fora do Brasil, no Peru e Bolívia. Organizamos as escolas por padrão básico de funcionamento, para cada modalidade e nível de ensino”, disse.

Depois de conhecer os problemas considerando os três aspectos, Binho Marques disse que foi elaborado um plano enxuto com apenas quatro objetivos estratégicos, extinguiu departamentos e designou um líder para cuidar de cada objetivo, semanalmente se reunindo com eles. “Abaixo deles tinham os gerentes de metas, e mais abaixo pessoas para auxilia-los, que semanalmente se reuniam também”, destacou.

DIPLOMAS FALSOS

Binho Marques disse ter encontrado um desanimo absoluto e descrença na educação, quadro revertido com muito trabalho e valorização profissional. “Um recadastramento de servidores revelou 1200 pessoas na sede da educação.  A secretaria passou para apenas 180 pessoas. Havia diplomas falsos, falcatruas na folha de pagamento e muitos  não trabalhavam, a serviço de deputado, vereador, e tinha gente recebendo mas morando na Itália e em outros países”, relatou.

Combater o déficit de aprendizagem, de repetência, dotar escolas de padrão mínimo de funcionamento, readequando o espaço físico com menos salas de aula para atender determinado nível de ensino e a relotação de funcionários possibilitaram a sobra de professores.   Foi feito investimento em sua formação.

Segundo ele, foram abertas novas escolas para educação infantil, muitas em prédios abandonados da Legião Brasileira de Assistência (LBA) e desfeitos contratos provisórios e temporários desnecessários.

FOCO NO ALUNO

“Com isso foi possível pagar melhores salários. O Acre, já no ano 2000, logo que assumimos, pagava oito salários e meio para o professor, o mesmo piso do engenheiro. Tivemos um dos melhores salários do país, no patamar dos países da OCDE (Organização para a Cooperação do Desenvolvimento Econômico),” disse Binho Marques.

O ex-governador afirmou ter sido fundamental também o envolvimento dos municípios para promover a mudança. Depois de encontrar um desanimo absoluto e descrença na educação, a Secretaria da Educação deixou de ser “ensimesmada, de ficar cuidado dela própria e passou a ter foco na escola e no aluno.”

“Nosso lema foi que não poderíamos fazer nada se não fosse bom para o aluno”, disse, alertando para “vendedores” de projetos educacionais.

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Source Secom
Via Secom

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