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Cinco acusados de estarem envolvidos nas mortes de Ruan Lucas Hildebrant, de 18 anos e Alysson Henrique de Sá Lopes, de 23 anos, poderão ser levados a Júri Popular. O crime ocorreu em janeiro de 2016, na propriedade rural localizada na Linha C-114, em Cujubim (RO).  Apenas o corpo de Alysson foi achado até hoje. O cadáver estava dentro de um carro queimado.

Conforme o Tribunal de Justiça de Rondônia (TJ-RO), a sentença de pronúncia contra o proprietário da fazendo, o responsável pelo serviço de vigilância clandestina e três policiais militares foi divulgada no início desta semana.

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Conforme o TJ-RO, um dos policiais envolvidos no homicídio trata-se de um sargento da reserva, de 49 anos, lotado em Ji-Paraná (RO). Ele teve a prisão preventiva decretada pela Justiça, mas está foragido desde a expedição do mandado. Os outros dois policiais presos pertencem ao 7° Batalhão da Polícia Militar (BPM), lotados em Ariquemes e Cujubim, juntamente com os outros dois envolvidos estão presos.

Investigações da Polícia Civil apontam que os militares faziam parte do grupo de vigilância clandestina contratado pelo proprietário da fazenda, que inclusive, chegou a trocar tiros com a própria Polícia Militar (PM). Na época foram encontrados um arsenal de armas de fogo que pertenciam ao grupo encarregado de vigiar a propriedade rural contra a invasão de sem terras.

Conforme o processo, o proprietário da fazenda estava tendo constantes invasões por parte de grupos sem terras. Em 2015, uma reintegração de posse foi cumprida pela Justiça, mas a área voltou a ser invadida.

No dia 27 de janeiro de 2016, uma segunda reintegração de posse foi cumprida no local e para evitar novas invasões. O fazendeiro decidiu contratar um grupo de segurança privada clandestina, organizado por um amigo, que era o presidente da Associação Rural de Ji-Paraná (RO).

O proprietário da fazenda ofereceu R$ 105 mil ao amigo para efetuar o trabalho. A partir disto, o amigo ficou responsável em contratar os policiais militares que trabalhariam na segurança clandestina para proibir a aproximação ou entrada dos sem terras na localidade. No dia 1° de fevereiro daquele ano, o corpo de uma pessoa foi encontrado carbonizado dentro de um carro incendiado próximo a propriedade.

Após exames do Instituto Médico Legal (IML), o corpo foi identificado como o de Alysson Henrique. Segundo a Justiça, dois policiais que participaram na morte do jovem no dia anterior, informaram durante serviço, onde estava o veículo incendiado. Buscas pelo corpo de Ruan Lucas foram realizadas com o auxilio de um helicóptero da PM, Corpo de Bombeiros e do Grupo de Ações Táticas Especiais (GATE), mas o jovem não foi encontrado.

Segundo o TJ, os réus foram indiciados pelos crimes de homicídio triplamente qualificado do jovem Alysson Henrique, homicídio duplamente qualificado e ocultação de cadáver do jovem Ruan Lucas e por três tentativas de homicídios, referente aos três amigos das vítimas que conseguiram fugir do grupo.

De acordo com a 1ª Vara Criminal da Comarca de Ariquemes (RO), o juiz constatou a presença de indícios suficientes que comprovam a autoria dos acusados nos crimes de homicídios dolosos contra a vida e que os submetem ao julgamento através do Júri Popular.

A decisão ocorreu em 1ª instância e os réus ainda podem recorrer da decisão. O G1 tentou entrar em contato com os advogados dos réus, mas até a publicação desta reportagem não obteve retorno.

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