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Indígena Paiter Suruí de Rondônia é um dos vencedores do Prêmio Educador Nota 10 com projeto que virou museu

Rondônia teve neste ano um de seus professores como destaque do Prêmio Educador Nota 10. O professor Luiz Weymilawa Suruí, da Escola Indígena Estadual de Ensino Fundamental e Médio Sertanista José do Carmo Santana, da aldeia G?apg?ir, próxima ao município de Cacoal, ficou entre os 10 vencedores do prêmio, que contou com a participação de 4.200 professores de todo o Brasil.

Criado em 1998, o Prêmio Educador Nota 10, realizado pela Fundação Victor Civita, é reconhecido nacionalmente por valorizar e reconhecer professores da Educação Infantil e do Ensino Fundamental e também gestores escolares de todo o País que desenvolvem projetos importantes dentro do ambiente escolar.

Uma comissão selecionadora, composta por profissionais da educação, especialistas nas diversas disciplinas, analisa todos os trabalhos recebidos e, entre eles, são escolhidos os 50 finalistas, e entre estes são escolhidos os dez Educadores Nota 10.

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Rondônia está entre os sete estados brasileiros que tiveram seus educadores como vencedores do prêmio. O professor de geografia Luiz Weymilawa Surui foi quem colocou a educação indígena do estado em destaque. “Como indígena e professor é muito significativo para mim ser reconhecido em meio a tantos profissionais de todos os estados brasileiros. Estar entre os 10 vencedores do Prêmio Educador Nota 10 só mostra que o povo Paiter resiste e luta por uma educação de qualidade”, disse Luiz Weymilawa Suruí.

O projeto desenvolvido pelo professor indígena, que lhe concedeu o título de “Educador Nota 10?, tem como título “Lap Gup: Nossa Casa, nosso lar”. Luiz estudou com seus alunos o lugar e a territorialidade do seu povo, os Paiter-Suruí.

O projeto escolar deu tão certo que acabou se tornando um museu. O Museu Paiter A Soe está localizado na Aldeia G?apg?ir do povo Suruí, na Linha 14, a aproximadamente 60 quilômetros de Cacoal. Aberto ao público, o museu consiste em uma casa tradicional dos Paiter Surui, feita de palha, que agrega utensílios de barro, ferramentas indígenas e diversos artefatos que reproduzem a vida desses indígenas antes do contato. O museu é aberto ao público para que todos possam conhecer a vida tradicional e interagir com os Paiter Suruí.A partir daí, surgiu a ideia de construir uma casa tradicional de seu povo para que os alunos, também indígenas da etnia Suruí, pudessem compreender melhor como viviam seus ancestrais, antes do contato com a sociedade. A construção da casa do Clã propiciou a compreensão do domínio das relações de sociabilidade, da cultura material e imaterial, e do etnoconhecimento Paiter. O Lap G?up é o lugar de relações fundamentais da vida doméstica presente entre os Paiter. Com este projeto, os alunos puderam aprender com os mais velhos como se constrói o Lap G?up e sua importância etnogeográfica.

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