Portal Espigão
Informação a Serviço da População

O problema do barulho a nossa volta e do silêncio em nós.

0
Publicidade

Blog_william

Um fotógrafo muito famoso entre os anos 60-80 disse que em algum momento, todos terão seus 15 minutos de fama. A internet parece que veio para proporcionar isso. Daí parece que aquele que disse que a internet é o espaço mais democrático jamais inventado tinha sua razão. Assim como aquele que disse que a internet deu voz aos imbecis também não parece estar muito longe de estar certo.

Com a internet, a partir dos blogs, vlogs, snapchat, facebook e afins, descobrimos que sim, todos têm uma opinião, mas também quanto é difícil conviver com tantas opiniões. E na medida em que cada um parece cada vez mais apaixonado por aquilo que pensa, é cada vez maior o número de animosidades que uns sentem em relação aos outros. Ainda mais porque essa paixão leva a que cada um queira convencer o outro de que sua forma de ser, viver e crer é a melhor.

Publicidade

Essa intolerância pode sugerir, talvez, uma certa fadiga. É certo que nunca se leu tanto quanto ultimamente. A nossa tradição cultural sempre foi mais oral do que de leitura. É possível se dizer que todos conheçam histórias bíblicas, que todos saibam que Romeu e Julieta tiraram a própria vida, que Capitu talvez tenha traído seu marido, que Aquiles tinha algum problema na calcanhar ou que a Bella amava um vampiro que preferia lobisomens, sem que nunca tenham lido a Bíblia, Shakespeare, Machado, Homero ou Crepúsculo. Sabem de ouvir falar. Mas hoje em dia tudo é leitura. A comunicação é muito mais escrita do que oral. SMS, chat, Messenger, WhatsApp, posts, compartilhamentos, tudo é escrito e tudo é lido (ainda que muitas vezes só passando o olho).

As cabeças estão cansadas e quando estamos cansados tendemos a ter menos paciência e, então, lemos algo que vai contra os princípios que nem sempre temos certeza de termos e já nos apressamos a fazer o outro saber como o consideramos um completo idiota-coxinha-reacionário-malcomido-vagabundo-petista-alienado-beneficiáriodeprogramasocial.

Mas isso é só o sintoma de uma doença muito maior: a falta de alteridade. O outro só tem interessado quando ele me reconcilia ou me legitima comigo mesmo. Quando ele me faz me sentir bem por ser quem eu sou e, por uma tendência gregária, só me sinto bem se não sou só, se não digo sozinho, se minha voz ecoa, inspira e é repetida, porque se sou exemplo pro outro, posso ser exemplo pra mim e, então, fico satisfeito.

Logo, todo o meu barulho, toda a minha raiva, toda minha frustração não tem nada a ver com o outro que eu mal consigo olhar. Mas tem tudo a ver comigo a quem eu me recuso conhecer.

Comments
Carregando comentários...