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A operação da Polícia Militar (PM) em cumprimento de uma ordem judicial para reintegração de posse em uma fazenda de Vilhena (RO), no Cone Sul, terminou com a apreensão de mais de 21 munições e a prisão de cinco pessoas. A ação ocorreu nos lotes 72,73 e 74, durante a semana, e se encerrou na sexta-feira (24).

Os lotes onde ocorreram a reintegração têm mais de 5mil hectares e estão localizados em uma área conhecida por constantes conflitos agrários e desmatamento ilegal.

A Justiça concedeu liminar de reintegração de posse em dezembro de 2016, após os legítimos proprietários pedirem o fim da invasão.

Depois de quase três meses de planejamento, em virtude de trâmites administrativos, na terça-feira (21), a PM mobilizou aproximadamente 66 policiais para cumprir o mandado e utilizaram um helicóptero no intuito de localizar os posseiros na mata fechada.

Nos primeiros dias da operação, os policiais encontraram apenas barracas vazias e, seguindo a ordem judicial, ataram fogo nelas. Na manhã de sexta-feira, a cerca de 600 metros de uma das entradas da fazenda, cinco homens foram encontrados em um acampamento.

Na ocasião, segundo a polícia, quando as viaturas se aproximaram do local, foram recebidos com um disparo de arma de fogo. Em resposta, as autoridades efetuaram três tiros e os posseiros correram para dentro da mata.

Os que ficaram no acampamento, um total de cinco homens, foram revistados e presos. Nas barracas deles foram apreendidos 21 munições de espingarda calibre 28, quatro munições calibre 36, um motosserra, três tocas ninja, três celulares, duas carteiras de trabalho, vários documentos de identidade e a carcaça de um tatu-canastra.

Ao serem questionados sobre o animal silvestre, os posseiros confessaram que caçaram e comeram a carne do tatu. Já sobre as armas utilizadas pelo grupo, dois posseiros que conseguiram fugir teriam levado o arsenal.

Os homens foram detidos e encaminhados para a Delegacia de Polícia Civil do município. Eles devem responder por invasão, crime contra o meio ambiente e posse irregular de arma de fogo.

Massacre
No dia 17 de outubro de 2015 a fazenda foi palco do maior massacre por disputa de terras do estado de Rondônia nos últimos 20 anos, conforme a PM. No crime, cinco pessoas foram mortas, sendo uma delas queimada viva.

De acordo com o delegado da Polícia Civil, Fábio Campos, homens armados chegaram na propriedade em três motocicletas e realizaram as execuções. O local havia passado por uma reintegração de posse dois dias antes da chacina.

Dos cinco acusados, três foram localizados e presos. Na audiência de instrução, a Justiça entendeu que, para um deles, não havia provas suficientes de autoria e postulou a denúncia do MP. Já os outros dois foram a júri-popular em setembro de 2016 e, também devido à insuficiência de provas que comprovassem a autoria, eles foram absolvidos.

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