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Floresta plantada é uma das apostas para o desenvolvimento econômico sustentável de Rondônia. Em maio de 2016, o governador Confúcio Moura sancionou a lei que regulamenta o cultivo de florestas para aproveitamento comercial. E os esforços para que esta política preservacionista avance no estado não param.

O sócio proprietário da empresa BDX Florestas, Dário Lopes, migrou da extração de madeira nativa para a floresta plantada há cerca de cinco anos. Possui plantio de 55 hectares de teca nos municípios de Costa Marques e Ouro Preto do Oeste. Agora, ele comemora a primeira exportação que terá como destino os Estados Unidos, maior mercado consumidor mundial da espécie.

‘‘Nós fomos procurados por eles [Estados Unidos] para que exportássemos a madeira que produzimos. Isso é fantástico’’, comemorou o empresário, que nos últimos cinco anos exportou cerca de 35 mil metros cúbicos de madeira para mais de 45 países, principalmente do continente asiático.

Em dezembro do ano passado, a Secretaria de Estado de Desenvolvimento Ambiental (Sedam) instalou o Conselho Estadual de Política Agrícola para Floresta Plantada (Consepaf), que tem como objetivo assessorar o chefe do Poder Executivo na formulação de diretrizes para esta política. Além de diminuir a pressão sobre as matas nativas, a iniciativa também tem se mostrando um bom negócio.

Segundo Dário, no início o produto era mandado em toras, era beneficiado na Ásia e de lá era destinado aos Estados Unidos. O grande volume de exportações provenientes de Rondônia chamou a atenção de empresários norte-americanos. ‘‘Era um sonho para a gente que se torna realidade a partir de agora. Nós temos contrato até 2018 de exportar 600 metros cúbicos por mês desse produto já industrializado, o que valoriza em até quatro vezes o valor da madeira’’, afirmou o empresário.

No primeiro embarque serão enviados pelo Porto Público de Porto Velho 120 metros cúbicos de teca proveniente do município de Ouro Preto do Oeste. A saída está programada para esta quinta-feira (12). Dário conta que todos os esforços do governo estadual para que o setor de floresta plantada avançasse nos últimos anos fizeram a diferença para que o mercado externo abrisse portas para a madeira rondoniense.

‘‘O governo contribuiu e muito eliminando toda a burocracia que existia para conseguir a documentação para que pudéssemos exportar. Uma vez que temos o Decreto n° 15.933 que possibilitou a exportação da teca isenta do DOF [Documento de Origem Florestal] por se tratar de um produto proveniente da agricultura, assim como acontece com as demais lavouras. Com essa medida, saímos de uma situação em que nem se falava da exportação de teca para uma em que em Rondônia movimenta milhões de dólares’’, avaliou.

Além disso, o governo oferece outros incentivos fiscais. ‘‘O governo de Rondônia também nos deixa imune no caso das transações de exportação da tributação PIS/Cofins, ICMS e imposto de renda. O que gera riqueza para os produtores rurais e para todo o estado. Isso traz um impacto muito grande para a economia. Rondônia ganha com isso a geração de emprego e renda’’, disse.

Com a abertura do mercado para os Estados Unidos, Dário espera que em breve Rondônia exporte produtos acabados para os norte-americanos, agregando desta forma mais valor à madeira.  ‘‘Estamos de olho na criação da Zona de Exportação que está sendo criada pelo governo para entregar o produto pronto, faltando só ser montado. É a nossa meta’’, salientou.

A exportação para os Estados Unidos é considerada um passo importante do reconhecimento da qualidade da madeira de Rondônia e da capacidade dos rondonienses em atingirem mercados altamente exigentes tanto quanto a qualidade do produto como a segurança. ‘‘Os Estados Unidos é o único País do mundo que exige certificados de origens diferenciados por questão do atentado de 11 de setembro de 2001. Além da qualidade do produto que tem que ser a melhor, eles exigem também um certificado com dados detalhados sobre o produto, o que inclui as coordenadas da madeira, por onde passou e quanto tempo ficou em cada local’’, disse o empresário.

Assim como para o empresário Dário, a teca é uma das principais escolhas dos que apostam no setor de floresta plantada em Rondônia. O preço de sua valorizada madeira chega a US$ 3.640 por metro cúbico. De acordo com a Sedam, somente nos primeiros nove meses de 2016, e com apenas a comercialização da teca, foram movimentados R$ 44 milhões na economia rondoniense.

O empresário conta os motivos que despertaram o interesse pelo negócio. ‘‘Existe um déficit muito grande de madeira para atender ao mercado mundial, e vendo as dificuldades devido às leis ambientais para a exploração da madeira retirada da floresta nativa, não há outra alternativa para quem está no setor, que não seja a floresta plantada. E foi assim que descobrimos a teca e achamos o mercado extraordinário’’, disse.

Ele explica a escolha pelo cultivo da espécie. ‘‘A teca, para nós, é nova, não apenas em Rondônia, mas também para todo o Brasil, enquanto que na Ásia é trabalhada há séculos por ser natural de lá. Mas é uma madeira versátil utilizada desde a construção civil a acabamentos finos em embarcações, aeronaves e móveis. E é altamente consumida no mundo, especialmente na Ásia. Talvez seja a madeira mais valorizada do mundo. Na Índia, por exemplo, existe até uma questão religiosa de cremar pessoas de famílias nobres com a teca’’, explicou.

Segundo o empresário, seis anos após o plantio, a teca já pode ser comercializada.  ‘‘Em Rondônia produzimos a teca melhor do que em qualquer outra parte do mundo, e aqui ela se desenvolve mais rápido. Acreditamos que seja devido à combinação de solo e clima’’, contou.

Dário orienta os produtores rurais de Rondônia que também invistam em floresta plantada.  ‘‘Em poucos hectares é possível conseguir uma grande lucratividade em teca. Além de contribuir com o meio ambiente’’, garante.

POLÍTICA AGRÍCOLA

O projeto Floresta Plantada, segundo a Sedam, é uma das grandes apostas para recuperar aproximadamente 1,400 milhão de hectares de áreas em estado avançado de degradação em Rondônia. Além da teca, outras espécies que também se destacam nessa proposta são o eucalipto e pinus cuiabano, cultivadas principalmente nos municípios de Pimenta Bueno, Ji-Paraná, Ouro Preto do Oeste e Vilhena.

O empresário Dário, por exemplo, pretende ampliar os investimentos em floresta plantada e planeja recuperar em 10 anos uma área de 15 mil hectares no município Costa Marques com o plantio de teca. ‘‘A partir do momento que o indivíduo para de extrair madeira da floresta nativa e em vez disso ele planta a árvore para a comercialização, isso contribuiu tanto para o meio ambiente como para economia’’, considera.

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