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24
Maio
2020

Acusado de matar músico do Boi Flor do Campo é condenado a 30 anos

O Tribunal de Justiça do Estado de Rondônia (TJ-RO) julgou e condenou a 30 anos de reclusão, em regime fechado, o jovem Américo Carneiro de Souza Neto, de 22 anos, acusado de matar o funcionário público e músico do Boi-bumbá, Márcio Paz Menacho, no último dia 5 de outubro em Guajará-Mirim (RO), a 330 quilômetros de Porto Velho.

O julgamento foi realizado na capital neste semana, como medida de segurança, devido à comoção que o crime causou no município. O TJ-RO divulgou o resultado da sentença na segunda-feira (12); a defesa do réu ainda pode recorrer da decisão.

O G1 tentou contato por telefone com a Defensoria Pública, que fez a defesa do acusado, para saber se haverá ou não a possibilidade de recorrer da sentença. A assessoria do órgão informou que a Justiça ainda não fez o encaminhamento da sentença.

Em entrevista ao G1 nesta quarta-feira (14), o promotor de Justiça do Ministério Público do Estado de Rondônia (MP-RO), Eider José Mendonça das Neves, declarou que no último dia 18 de novembro houve a instrução do processo, onde foram ouvidas as testemunhas e a viúva de Márcio, Janaina Menacho.

Segundo ele, por motivo de segurança, o réu foi interrogado no final do mês passado na Comarca de Porto Velho, e o MP-RO pediu a condenação em pena compatível com o resultado do crime.

“O Ministério Público propôs ação penal em face do réu, imputando-lhe a prática de latrocínio, que consiste na subtração patrimonial, em que da violência empregada resulta na morte da vítima. O Juiz atento as provas produzidas no processo, julgou procedente a demanda e condenou o réu a uma pena de 30 anos, que é a máxima prevista”, explicou o promotor.

Eider falou ainda que em tese, a sentença ainda cabe recurso, pois a decisão não transitou em julgado, o que significa que Américo ainda tem o prazo para fazer uma apelação sobre a condenação.

“Se o acusado não recorrer, ou se o recurso for julgado improvido, a pena de reclusão deve ser executada. Infelizmente os crimes patrimoniais fomentados pelo tráfico de drogas têm aumentado, incentivados pela ganância e do lucro fácil. Nós acreditamos que essa decisão da Justiça passa uma mensagem para Guajará-Mirim e o resto do estado  de que os crimes dessa natureza não serão tolerados”, finaliza.

Crime
O professor e musicista do Boi-bumbá Flor do Campo, Márcio Paz Menacho, de 45 anos, foi morto com um tiro no rosto, no último dia 5 de outubro, após reagir a um assalto na própria residência, localizada no Bairro Serraria. Segundo a Polícia Militar (PM), o crime aconteceu por volta das 18h, na Avenida Antônio Correia da Costa.

O assaltante invadiu a casa para roubar uma motocicleta e deu um tiro no rosto de Márcio, à queima roupa; o músico morreu na hora. A execução foi testemunhada pela esposa e pelo filho do casal, que estavam na sala no momento do crime. Após atirar na vítima, o suspeito pegou a chave e fugiu com a moto.

Por volta das 19h30, cerca de 300 populares se aglomeraram em frente à Delegacia Regional de Polícia Civil para protestar contra a morte de Márcio e pedir justiça. A multidão ficou no local por cerca de uma hora e meia aguardando notícias sobre o caso.

As Polícias Civil e Militar fizeram um cordão de isolamento por precaução, para evitar uma possível invasão no prédio. O clima entre manifestantes e policiais ficou tenso, mas não houve nenhum confronto.

Prisão
As Polícias Civil e Militar (PM) convocaram uma coletiva de imprensa no último dia 6 de outubro, um dia após a morte de Márcio Paz Menacho, para comunicar sobre a prisão de Américo Carneiro de Souza Neto, que confessou ter atirado no músico e roubado a motocicleta da família durante um assalto no início da noite anterior. Com ele, os policiais encontraram a arma usada no latrocínio e também conseguiram recuperar o veículo roubado.

De acordo com as informações declaradas na coletiva de imprensa, o suspeito foi preso em flagrante e encaminhado para a Delegacia de Polícia Civil de Nova Mamoré (RO), a cerca de 40 quilômetros do município, para evitar um possível linchamento e proteger a integridade física do preso.

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