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01
dez
2020

Conselho Nacional de Segurança Alimentar apela por alimentos saudáveis e propõe diálogo

Ao falar no encerramento da 4ª Conferência Estadual de Segurança Alimentar e Nutricional, promovida pela Secretaria Estadual de Assistência Social (Seas), a presidente do Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea), Maria Emília Lisboa Pacheco, disse nesta sexta-feira (14) que “comer é um ato político”.

Assim, ela propôs a mobilização das áreas da assistência social, da educação, da saúde, de associações de bairros e rurais, visando o fortalecimento das ações da Câmara Intersetorial do conselho, que é responsável pelas articulações políticas “da distribuição ao consumo”, com vistas ao diálogo para a sonhada segurança alimentar.

Nesse sentido, a plenária manifestou as dificuldades, principalmente de distâncias, que impedem o acesso de populações tradicionais – quilombolas e indígenas por exemplo – às decisões do Conselho Estadual de Segurança Alimentar.

Maria Emília elogiou a proposta feita pela plenária, no sentido de incentivar e aumentar o consumo de produtos in natura, o que atenuaria o índice de 56% de sobrepeso existente no País. “Conferências municipais e estaduais não são eventos, mas a construção contínua, o caminho é fértil”, afirmou Maria Emília.

Ela dimensionou a cultura alimentar desde os migrantes que chegam à Amazônia, ao reconhecimento do patrimônio cultural representado por alimentos artesanais, alguns deles, dos povos indígenas. E lembrou a existência de um grupo de trabalho constituído para a adequação das leis da vigilância sanitária para a produção artesanal. “Não podemos ter as mesmas regras da indústria aplicadas à agroindústria”, alertou.

Ao mesmo tempo, Maria Emília assinalou que o uso social da terra é fundamental em tudo e tem que se pleitear para se obter essa melhoria. O tema também reforma agrária foi debatido durante os dois dias da conferência. “Notei aqui o alto índice de distribuição de cestas de alimentos aos atingidos por barragem; precisamos avançar e atender melhor a todos dentro do controle social e da perspectiva do desenvolvimento que queremos”.

A presidente do Consea condenou “produtos ultraprocessados” e enlatados que entram na dieta do brasileiro, “causando diabetes, pressão alta e outros males”. No entanto, reconheceu que anteriormente as comunidades de Rondônia não dispunham de educação específica em relação a informações dessas complicações de saúde.

Destacou a aproximação entre nutricionistas, profissionais de educação e de saúde, justificando que esse diálogo permite avançar em busca da obtenção de melhores nutrientes em diversos produtos.

Maria Emília ainda elogiou a insistência da plenária na aprovação de um modelo de produção agroecológica em Rondônia. “É a expressão da consciência de vocês demonstrando que muitas experiências dão certo. É salutar o cultivo sem o uso de agrotóxicos, sem aditivantes sintéticos; produzindo em harmonia com a natureza e não de costas para ela”.

Ela exemplificou que o Projeto Reflorestamento Econômico Consorciado e Adensado (Reca) exige o reconhecimento da população a “mulheres invisíveis” que conseguem modificar hábitos e melhorar a qualidade de alimentos. E aprovou a recomendação de proibição da pulverização aérea de agrotóxicos, lembrando que o programa nacional voltado para a sua redução teve no Consea uma mesa de controvérsias, e ela embasou proposta em análise ministerial.

“Não podemos continuar adoecendo e morrendo; se defendemos comida de qualidade nos lares e nas escolas, ela não pode ter veneno; o tema e complexo, envolvendo a todas e a todos, é uma questão cidadã, de direito humano à alimentação”, argumentou.


Fonte
Texto: Montezuma Cruz
Fotos: Esio Mendes
Decom – Governo de Rondônia

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