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03
jul
2020

Em carta aberta, funcionários da saúde de Espigão do Oeste, denunciam os problemas no enfrentamento ao COVID-19

Para o grupo que faz a denúncia, o problema não é apenas da Secretaria de Saúde, mas de toda a administração de uma forma generalizada.

Após as denúncias divulgadas pelo Portal Espigão, um grupo de profissionais da saúde, enviaram para a redação do site, uma CARTA ABERTA, que expõe os problemas enfrentados pelos profissionais da saúde de Espigão do Oeste.

No caso do tratamento da COVID-19, a falta de EPIS, e de organização da equipe são os problemas que segundo os profissionais, tem levado a contaminação dos profissionais.

Segundo a fonte que enviou a denúncia, outros profissionais estão internados e alguns afastados, com fortes suspeitas de contaminação.

As denúncias são graves, uma vez que a contaminação de profissionais da saúde, tem levado hospitais de todo o mundo a se tornarem o centro da pandemia em seus respectivos estados e municípios. Desde o início relatos tem chegado que Administração Pública de Espigão do Oeste não tem tomado medidas eficientes para cuidar dos seus profissionais de saúde, fornecendo o mínimo de proteção individual.

Nas redes sociais, o abraço virtual e o agradecimento aos profissionais de saúde, são constantes, mas a realidade tem se mostrado cruel para estes seres humanos que também possuem famílias e merecem ser tratados com respeito, hoje e sempre.

Veja abaixo a íntegra da CARTA ABERTA:

Chegou o momento da população de espigão do oeste e região saber como são as condições atuais e de sempre de trabalho do hospital municipal Angelina Georgetti.

É preciso aprender com a pandemia.  Há anos e há alguns meses nessas situações e o caos se intensificou de uma maneira que está desequilibrando os profissionais de saúde pela insegurança que sentem por falta dos gestores. Porque sempre trabalhamos de forma desorganizada.

Mas por quê? Porque quando alguém mostra serviço, tenta melhorar, a gestão vem e tira, e nunca conseguimos mudar a zona que existe no hospital municipal Angelina Georgetti. A pandemia no brasil se iniciou no início de março, os profissionais do hospital já vinham pedindo mudanças, melhorias, protocolos, fluxogramas, reuniões, capacitações… e nunca foram atendidos, até que chegou o primeiro caso de um paciente suspeito, e o caos se instalou no plantão.

Todo mundo perdido, não sabia em que lugar atender, de que maneira atender, como coletar material, o que precisava fazer, onde colocar, onde armazenar, quem avisar e por ai vai… Saíram como loucos procurando equipamento de proteção individual, e não achavam. Tinha que correr o hospital inteiro procurando na direção, que jogava para a farmácia, a farmácia jogava para o almoxarifado e assim ia…fazendo de deles verdadeiros palhaços em busca de condições de trabalhos e proteção individual.

Há mais ou menos 3 semanas, foi que uma técnica de enfermagem que também é enfermeira se prontificou a tomar conta da situação relacionada ao COVID-19, mas até isso acontecer, a bagunça corria solta. Enfermeiros pedindo em todos os plantões por alguém para olhar por eles, uma pessoa específica para cuidar disso. Quem está no plantão tem que pensar em mil coisas, o COVID-19 necessita de exclusividade. Até que conseguiram.

Vou relatar algumas situações que ainda acontecem:

No setor COVID a equipe de trabalho, não tem condições de descanso, nem uma água tratada para beber. Tem que comprar ou trazer de casa. O mesmo bebedouro que o paciente suspeito manipula o profissional também manipula. Trabalham tensos, e não tem nem um local no mínimo confortável para descansar a mente e o corpo que trabalham 24 horas incansavelmente. O mesmo banheiro que o paciente contaminado uso, o paciente suspeito também usa. Ou seja, você pode até não estar com COVID, mas irá se contaminar usando o mesmo banheiro do paciente confirmado.

Todos os profissionais da saúde com a limpeza, motorista, recepção não tem um local salubre para dormir. A recepção por exemplo, quando troca com o colega, dorme no colchão no chão da recepção porque não tem local adequado. Um chão que é pura infecção hospitalar, cheio de bactérias, sujo. Há notícias que os motoristas ganharam um novo local para descanso está semana após reivindicarem por conta da pandemia, eles dormiam a menos de um metro de distância, e muitos vão buscar pacientes em casa suspeitos e fazem viagem frequentes para Porto Velho. O risco de contaminação é alto.

Depois que está técnica de enfermagem começou a organizar, começaram a ter EPIS (equipamento de proteção individual para o Covid), mas de forma reduzida, não como o necessário. Tem situações que necessitam ser trocadas mais vezes, e os epis ficam na direção e não têm acesso com facilidade, tem que ficar ligando e pedindo. Alguns funcionários estão tirando do próprio bolso e comprando o seu. Mas é direito do servidor o município oferecer.

Sem contar que os recursos humanos estão reduzidos. Os colegas estão adoecendo, muitos foram afastados por conta das condições de riscos, os mais idosos. A gerente de enfermagem tem que implorar para alguém fazer um extra, que não é obrigatório, mas não tem pessoal suficiente, sobrecarregando o plantão para quem está. Faltam médicos também. Há informações que houve um médico que ficou de domingo a quarta-feira de plantão, por que não tinha quem cobrisse.

Ainda não têm o protocolo, nem o fluxograma deste hospital adequado a realidade. Se tem não foi apresentado. O protocolo do ministério da saúde é um, a realidade do hospital é outra.

Os funcionários trabalham com medo, não têm segurança apropriada. A maioria da equipe do hospital é composta por mulheres que ficam vulneráveis. A entrada no hospital não é monitorada, entra e sai gente a hora que quer, inclusive pessoas com problemas mentais como o vulgo “fu”, uma pessoa que a cidade inteira sabe que tem problemas psiquiátricos, e um outro com nome de rodrigo que já tem passagem pela polícia, entram e saem com frequência, e se não fazem o que pedem se alteram. Isso deu uma diminuída com a pandemia, mas ainda isso acontecer.

Outra situação é que ainda não existe uma equipe fixa do COVID-19, como por exemplo um médico. O mesmo médico que atende no pronto socorro atende no COVID, levando e trazendo contaminação para todos os setores do hospital.

A direção hospitalar foi trocada em um momento inapropriado, tiraram uma pessoa que estava por dentro da situação, que já tinha noção das coisas e colocaram uma pessoa que ainda encontra-se perdida. Há boatos que foi retirada da direção porque solicitou melhorias. Não se sabe se essa informação procede.

Não temos médicos visitador hospitalar para o setor de internação. Todo dia passa um médico diferente, uma conduta diferente, isso atrapalha a evolução clínica do paciente. A mesma coisa acontece no setor COVID, não tem médico que acompanhe os casos internados.

Outra situação importantíssima é que não temos controle de infecção hospitalar, o que faz toda a diferença principalmente neste momento de pandemia. O pessoal da limpeza estão desassistidos. As vezes tem dois funcionários para limpar o hospital enorme. Acha que dá conta? Sem contar que não há os produtos específicos para limpar um hospital, água sanitária e sabão apenas, não resolve para limpar um hospital. Há produtos específicos para isso.

As ambulâncias estão com defeitos como por exemplo, o telefone para se comunicar com o motorista na cabine não funciona, as tomadas não funcionam.

Houve um processo seletivo há pouco tempo, mas contrataram profissionais sem experiência, que chegaram e tiveram que ensinar até como pulsionar uma veia. Processo seletivo tem que comprovar experiência. Esses mesmo profissionais estão indo para o setor COVID. Isso sobrecarrega quem tem experiência e está junto, porque além de trabalhar, você tem que ensinar o colega. E assim a contaminação pode acontecer.

Trabalham sobrecarregados, com medo e não têm se quer um suporte psicológico neste momento por algum profissional de saúde mental.

Os salários da enfermagem não são compatíveis com o piso salarial da categoria, e isso faz com que novos profissionais não assumam processos seletivos e nem concursos públicos, o que deixa os recursos humanos nesta área defasada.

Os vereadores antes da pandemia não saiam do hospital, procurando erros e a população na sua grande maioria criticando em redes sociais, agora ninguém aparece para ver ou perguntar da atual realidade.

Em menos de um ano foi trocado 4 gerentes de enfermagem, o trabalho da enfermagem não anda dessa maneira. Não tem rotina, pois cada gerente estabelece algo e isso prejudica a enfermagem.  Quando o profissional começa a fazer algo, ou mostra melhorias é tirado. Ou seja quem tem que ficar é quem não faz nada pelo jeito.

Outra situação que já foi feito denuncia para o conselho regional de enfermagem, para o conselho regional de medicina, para o ministério público, para a secretaria municipal de saúde, para a direção clinica hospitalar, é que não há pediatra para entrar na sala de parto para recepcionar recém nascidos. Ficando nas costas da enfermagem que não tem respaldo para isso. O obstetra não quer saber se tem ou não, ele quer fazer o parto e pronto.  Se acontece alguma intercorrência com esse recém-nascido quem presta a assistência é a enfermagem. Isso é grave.

A situação é grave, e isso é apenas um resumo da atual realidade dos profissionais do hospital municipal Angelina Georgetti de Espigão do Oeste.

 

 

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