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18
nov
2020

Hospital de Base realiza videocirurgia bariátrica em paciente do programa de combate à obesidade

Voltar a estudar para recuperar o tempo perdido e andar de ônibus sem sofrer com olhares indiscretos das pessoas. Esses são os primeiros desejos que Sabrina Kelly, 28 anos, pretende realizar após recuperação de cirurgia bariátrica – de redução de estômago – a que foi submetida recentemente. Sofrendo desde a infância com o excesso de peso, Sabrina diz que desistiu de estudar muito cedo, por sofrer bullying.

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Sabrina Kelly diz que agora terá vida nova

Após três anos na fila de espera – a média nacional é de cinco anos – por uma cirurgia, finalmente recebeu o que classifica de nova vida. Sabrina é a primeira paciente do moderno programa de combate à obesidade implantado pelo governo de Rondônia no Hospital de Base Ary Pinheiro (HB), em Porto Velho – referência em tratamento de alta complexidade no Estado – a ser submetida ao procedimento por videocirurgia.

No total, R$ 1,5 milhão foi investido pelo governo de Rondônia na compra de equipamentos de última geração para que o programa avançasse. Desse total, parte foi utilizada na compra de material de uso descartáveis, indispensáveis para o procedimento.

De acordo com o médico Oziel Júnior, coordenador do programa e especialista no método de incisão por videolaparoscopia, apesar de ser mais cara, é mais segura para o paciente. É a chamada cirurgia fechada, sem necessidade de “cortar” a barriga do paciente.

Ele explica que pelo novo método, o paciente não precisa de leito em Unidade de Terapia Intensiva (UTI). A não ser que tenha algum problema durante o procedimento. Após 24 horas, recebe alta. Pode voltar a andar em dois dias e iniciar uma rotina de exercícios leves – como caminhada – em cerca de 10 dias.

“Pelo método de cirurgia aberta, o paciente passa, necessariamente, por UTI. O risco é muito maior, inclusive de contrair infecções”, explicou, acrescentando que tem um período de internação de pelo menos cinco dias. Com isso, o custo é praticamente o mesmo da videolaparoscopia. Oziel Júnior ressaltou que o índice de morte na cirurgia aberta é de 1 para cada 100 casos. Já utilizando a nova técnica, o risco cai de 1 para cada mil casos.

Além da economia e qualidade, o novo método colabora muito com a questão estética, principalmente em pacientes do sexo feminino, líder em procura pelo tratamento. “De cada 10 pessoas que buscam o serviço, sete são mulheres”, afirma Oziel Júnior.

Retirada dos pontos acontece em sete dias

Considerada uma das doenças mais graves do milênio, a obesidade é apontada como epidemia no Brasil, pela Organização Mundial de Saúde (OMS). De acordo com Oziel Júnior, estima-se que pelo menos 30 milhões de pessoas sofrem com a doença.

META PARA 2016

De acordo com Oziel Júnior, em todo o Estado de Rondônia, 460 pessoas esperam por cirurgia bariátrica. A equipe trabalha para realizar, nesta primeira fase, dois procedimentos por semana. Para 2016, a meta é realizar 90 cirurgias. Ele reforça que esse número pode até triplicar. Para isso, o Estado está buscando, junto ao Ministério da Saúde (MS), o credenciamento do Hospital de Base (HB) como unidade de saúde habilitada para realizar esse tipo de procedimento.

Com a aprovação, o MS vai destinar verbas do Sistema Único de Saúde (SUS) para custear os serviços. Hoje, o custo total é bancado pelo governo de Rondônia.

Em 2010, o Brasil divulgou um censo sobre a obesidade. Esse trabalho foi feito pelo MS. Os dados apontam Rondônia em oitavo lugar entre os Estados com mais obesos do País; e o segundo da região Norte, perdendo apenas para o Acre.

O mesmo senso trouxe uma informação assustadora: 80% da população que morre após os 60 anos, tem morte em decorrência de doenças relacionadas ao estilo de vida, “ou seja, males evitáveis”.

Pode-se dizer que de cada 10 pessoas que completam 60 anos, oito estão morrendo vítimas de doenças que poderiam ter sido evitadas, referentes à alimentação, estilo de vida e atividade física.

Considerados problemas de países ricos, o sobrepeso e a obesidade estão em alta nas nações de baixa e média rendas, em especial nas áreas urbanas, conforme estudo da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). No mundo todo, já são responsáveis por mais mortes do que a desnutrição.

No Brasil, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) publicou, recentemente, os dados da Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF), indicando que o peso dos brasileiros vem aumentando nos últimos anos.

O excesso de peso em homens adultos saltou de 18,5% para 50,1% — ou seja, metade dos homens adultos já estava acima do peso — e ultrapassou o índice de mulheres, que foi de 28,7% para 48%.


Fonte
Texto: Zacarias Pena Verde
Fotos: Ítalo Ricardo
Decom – Governo de Rondônia

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