MP recebe inquérito sobre caso do bebê incinerado por engano, em RO

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O inquérito sobre o caso do desaparecimento do bebê Nicolas Naitz já está no Ministério Público de Rondônia (MPRO) e, nesta quinta-feira (18), o advogado da família, Renan Maldonado, tem uma reunião com o promotor Marcos Tessila, para pedir mais apurações, já que os familiares não concordam com a conclusão da Polícia Civil. Segundo as investigações, dois funcionários da Amazon Fort, empresa que presta serviços para o Hospital de Base (HB) de Porto Velho, são os responsáveis pelo sumiço, em 23 de maio deste ano, do corpo do recém-nascido, que teria sido incinerado por engano no dia seguinte. O inquérito com essa versão foi enviado ao MP na quarta-feira (17) e foi distribuído à 22ª Promotoria da Infância e Juventude.

De acordo com o advogado, 15 requerimentos serão apresentados ao promotor, entre eles, a acareação dos envolvidos da maternidade Regina Pacis, onde o bebê faleceu; uma nova perícia das imagens dessa unidade hospitalar pela Polícia Federal (PF); e mais apurações sobre um crânio que teria sido visto por um funcionário no incinerador da Amazon Fort. “Esse inquérito tomou um caminho radicalmente oposto ao da dinâmica que a outra delegada estava adotando. É necessário que a polícia construa uma nova linha de investigação, desde Candeias [onde o bebê nasceu] até chegar na incineradora”, argumentou Renan. “O advogado está buscando novas respostas, é muito estranho que o inquérito tenha sido encerrado”, complementa a mãe de Nicolas, Marcieli Naitz.

A assessoria de imprensa do MPRO informou que o órgão está disposto a ouvir as contestações da família e que a próxima etapa será a análise completa do inquérito enviado pela Polícia Civil. Após a avaliação, o Ministério Público decidirá se concorda com a versão da polícia ou se pedirá novas investigações.

Entenda o caso
Os pais de Nicolas moram em Cujubim, distante 224 quilômetros da capital do estado. Em 22 de maio deste ano, no hospital do município, os médicos recomendaram a transferência para Porto Velho. Na viagem, a ambulância teve que parar em Candeias do Jamari, porque a mãe, Marcieli Naitz, estava em trabalho de parto avançado. O nascimento ocorreu no hospital da cidade, e, de lá, a mãe e a criança foram encaminhadas para Porto Velho. Marcieli foi direto para o Hospital de Base e Nicolas foi transferido para a UTI neonatal da maternidade Regina Pacis, onde faleceu.

A família foi informada de que o corpo deveria ser levado para o HB, já que a maternidade não possui câmara fria. A avó do recém-nascido acompanhou o trajeto na ambulância, mas diz não ter sido autorizada a conferir o que estava dentro do lençol que envolvia o corpo. No dia seguinte, quando a mãe de Nicolas teve alta e foi buscar o bebê, juntamente com funcionário da funerária contratada pela família, foi informada de que não havia sido registrada a entrada de qualquer corpo de criança no necrotério do hospital.

Investigações
O sumiço do bebê foi comunicado à direção do Hospital de Base e à polícia em 23 de maio. No mesmo dia, a Amazon Fort foi comunicada pelo HB para não incinerar o material coletado na data anterior. No entanto, um funcionário informou que a incineração já havia sido realizada. Policiais foram até a empresa e perguntaram sobre o corpo, mas os empregados negaram a entrada de qualquer cadáver de criança no local.

Em depoimento, a direção do HB declarou que todo material que deve ser incinerado só sai do hospital mediante autorização de uma assistente social, com documentação assinada pelos responsáveis pelo corpo, como os pais ou outros familiares, e que a logística de retirada de material, com o descarte de restos de corpo humano, é de responsabilidade da empresa terceirizada.

De acordo com o delegado responsável pelo caso, Jeremias Mendes, as apurações apontam que um funcionário da Amazon Fort levou equivocadamente o cadáver de Nicolas do hospital e outros empregados notaram um corpo no meio do lixo hospitalar a ser incinerado, mas receberam ordens para não mexer no material e o bebê acabou sendo incinerado.

A empresa contestou as informações da polícia sobre o envolvimento dos funcionários e disse que tomará as medidas necessárias para a defesa dos empregados após a eventual apresentação de denúncia pelo MP. Segundo a companhia, os empregados não têm permissão para checar o material separado pelos funcionários do HB, por se tratar de resíduos infecciosos, e apenas realizam a coleta para o transporte até a incineradora.

A empresa alega também que o funcionário apenas recolheu o material autorizado que estava fora da câmara fria do necrotério e que, na data do desaparecimento do recém-nascido, o único resto mortal retirado do hospital foi um membro amputado, que saiu do centro cirúrgico devidamente identificado.

Fonte: G1

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