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07
ago
2020

PF faz operação em Roraima contra contrabando de ouro da Venezuela

A Polícia Federal deflagrou na manhã desta sexta-feira (6) uma operação que mira um grupo de empresários e servidores públicos suspeitos de envolvimento em um esquema de contrabando de ouro. A quadrilha teria movimentado R$ 230 milhões em exportação de 1,2 tonelada de ouro da Venezuela e de garimpos ilegais em Roraima.

Ao todo, 150 policiais estão cumprindo 17 mandados de prisão preventiva, cinco de prisão temporária, 18 de sequestro de bens, e 48 de busca e apreensão em Roraima, Amazonas, Rio Grande do Norte, Rondônia e São Paulo.

Entre os alvos da operação Hesperides há três empresários venezuelanos que chefiavam o esquema. Um deles é procurado pela Interpol por tráfico de drogas e crimes financeiros cometidos na República Dominicana. Também estão na mira servidores da Receita Federal, estadual e Procuradoria Geral de Roraima.

Segundo a PF, o ouro extraído de garimpos venezuelanos – que ficam na região Sul do país e na fronteira com Roraima – e também de Roraima eram “legalizados” em um esquema que envolvia pagamento de propina a servidores públicos no estado.

“As investigações identificaram que os servidores públicos envolvidos ajudariam o grupo com ‘consultorias’ para o resgate de ouro apreendido, elaboração de pareceres favoráveis aos interesses dos suspeitos e com a facilitação de desembaraços legais diversos”, detalhou a PF.

Nas investigações, a polícia descobriu que o o ouro ilegal era “esquentado” como sucata. Depois, o metal era comprado por uma empresa em Caieiras (SP), que “mesmo com os latentes indícios de irregularidades acerca da origem do minério, o recebia e vendia para o exterior”.

“As investigações tiveram início em setembro de 2017, após apreensão de aproximadamente 130 gramas de ouro no Aeroporto de Boa Vista destinados a uma empresa em São Paulo. Uma nota fiscal de compra de ‘sucata de ouro’ acompanhava o metal, sendo verificado pela PF que se trataria de um documento falso”, detalhou a PF.

Os principais crimes investigados na ação são de participação em organização criminosa, contrabando, corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro, receptação e os crimes de falsidade ideológica e de documento público. O nome da operação faz referência as Hespérides que, segundo a mitologia grega, seriam as responsáveis por cuidar do pomar onde a deusa Hera cultivava macieiras que davam frutos de ouro.

Conforme Comex Stat, sistema que organiza dados do comércio exterior brasileiro, o ouro é o segundo produto mais exportado por Roraima, atrás apenas da soja.

Apesar de não haver no estado nenhum garimpo legal, só entre outubro de 2017 e agosto deste ano foram 333 kg de ouro exportados principalmente a Índia e Emirados Árabes.

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