Por que atletas treinam exaustivamente. E por que é roubada para você

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mulher-com-lesao-na-perna-corrida-esteira-dor-1379445202139_615x470Expressão que virou mantra de algumas academias e estampa de camiseta, o “no pain no gain” (sem dor, sem ganho em tradução livre) não é a melhor maneira de ter um corpo em forma e saudável, afirmam especialistas. Fisiologistas dizem que a consequência mais comum ao adotar a filosofia é lesão ou desistência da atividade física.

“É uma filosofia que causa lesões que enchem consultórios hoje em dia”, relata Diogo Leite de Barros, fisiologista do Hospital do Coração e diretor técnico da DLB Assessoria Esportiva.

Ele explica que os sacrifícios exigidos são tantos, e geralmente associados a restrição alimentar, que o praticante não aguenta a rotina por mais de dois meses. Também acontece de antes de provocar o abandono da academia, o “no pain no gain” causa algum problema físico.

Esse modo de pensar apareceu na década de 1980 e foi importado do esporte de alto rendimento, lembra Paulo Zogaib, fisiologista da Unifesp e do Palmeiras.

Ele diz que atletas profissionais se expõem a cargas intensas e tem a vitória, não a saúde, como prioridade. Acrescenta que como forma de prevenir doenças a atividade física com dor não faz sentido.

“Não precisa levar a musculatura à exaustão para fortalecer músculos e cartilagem”, diz Zogaib.

Mas o surgimento de dor ao começar um esporte não é necessariamente um indicativo de excesso ou risco. O início numa atividade física ou mudança na rotina esportiva, como incluir novos equipamentos na musculação, por exemplo, causam desconforto. O importante é saber identificar quando o corpo está avisando que a carga foi maior que o condicionamento suporta.

A Medicina Esportiva define que existe a dor fisiológica, considerada normal, e a provocada por sobrecarga. Quando uma pessoa mal consegue subir as escadas ou agachar, houve o segundo tipo, diz Moisés Cohen, presidente da Sociedade Mundial de Artroscopia, Cirurgia do Joelho e Trauma Desportivo. Ele explica que o desconforto muscular saudável leva no máximo dois dias para passar.

O especialista conta que muitas vezes as pessoas não dão o tempo necessário para o corpo descansar e se recuperar. Quando isto ocorre com praticantes de corrida as lesões mais comuns são tendinite no joelho e tendão de Aquiles, ou fraturas por estresse no pé e na tíbia (o osso da canela).

No caso da musculação, o “no pain, no gain” resulta principalmente em problemas no bíceps e área peitoral. O futebol tem as lesões no músculo posterior da coxa, responsável pelo arranque, como as mais comuns.

“Mais da metade dos atendimentos (em consultório) são lesões relacionadas a sobrecarga”, resume Cohen.

VERÃO E BALÉ

Ele ressalta ainda que o “no pain, no gain” aparece em duas datas específicas do calendário de determinados grupos: o famoso projeto verão e as apresentações de balé de final de ano. Neste último exemplo as jovens treinam em um ritmo intenso que não experimentaram no restante do ano para fazer bonito diante dos familiares. Nem todas sobem ao palco porque o corpo reclama.

O fisiologista do Hospital do Coração Diogo Leite Barros conta que a partir de setembro o projeto verão leva aos consultórios pessoas que resolveram fazer num mês o que não fizeram no restante do ano. Como o organismo não está acostumado à exigência e os limites são desrespeitados as lesões aparecem. Ou seja, o atleta amador conhece o lado DM do esporte por esquecer de outra filosofia: menos é mais.

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