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Por que Porto Velho comemora dois aniversários no mesmo ano

A solenidade de instalação aconteceu em 24 de janeiro de 1915 e foi presidida pelo Superintendente Fernando Guapindaia. Durante a cerimônia ele enalteceu a importância da nomeação dos administradores à democracia.

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Porto Velho comemora dois aniversários em um único ano. Nesta sexta-feira (24) a capital rondoniense celebra 105 anos de instalação, e vai receber os parabéns novamente no dia 2 de outubro, pelos 106 anos de criação.

Mas quais as diferenças entre as solenidades? Basicamente, uma é referente ao processo administrativo e a outra data é devido à força de lei.

Criação

No dia 2 de outubro de 1914, dentro do Palácio do Governo de Manaus o Dr. Jonathas de Freitas Pedrosa, governador do Amazonas, sancionou a lei n° 757, que elevou a povoação de Porto Velho à categoria de cidade.

Assim, a comarca localizada na margem direita do Rio Madeira se desmembrou do município de Humaitá (AM).

Vinte nove anos depois, tornou-se a capital do Território Federal do Guaporé.

Instalação

Somente no dia 24 de janeiro de 1915 foram nomeados oficialmente o superintendente da cidade e os membros do Conselho Municipal – cargos que hoje correspondem a prefeito e os vereadores, respectivamente. A partir das nomeações dos administradores, foi formalizada a instalação.

A solenidade de instalação aconteceu às 9h, na residência do Intendente Manoel Félix de Campos, localizada no que hoje é a rua Barão do Rio Branco, e foi presidida pelo Superintendente Fernando Guapindaia.

Durante a cerimônia, Guapindaia enalteceu, em discurso, a importância da nomeação dos administradores para a democracia.

“Era com grande desvanecimento que tinha a honra de, nestas longínquas paragens, vir inaugurar o município de Porto Velho, trazendo para este remoto rincão nacional uma das grandes conquistas da democracia – o governo do povo pelo próprio povo – na soberana autonomia municipal, assegurada pelos preceitos constitucionais”, consta no Diário Oficial de 5 de fevereiro de 1915.

Madeira… Fronteira que, em vez de separar, confraterniza

O Madeira é o rio que banha todos os períodos históricos de Porto Velho. E não há como revisitar aos aniversários da cidade sem citá-lo, já que foi o fator decisivo para a ocupação na cidade.

Ele nasce na Cordilheira dos Andes, entre os territórios boliviano e peruano. Formando um sistema complexo envolvendo quatro rios: o Beni, o Mamoré, o Madre de Dios e o Guaporé.

O rio foi batizado com um nome que faz referência a quantidade de troncos de árvores encontrada em suas águas. Segundo o Portal do Rio Madeira, o rio se chama assim desde antes da primeira expedição completa por seu curso, realizada por Raposo Tavares, em 1650.

“Mesmo sem navegá-lo em toda sua extensão, os portugueses já tinham notado a quantidade fenomenal de troncos que suas águas carregavam. Diz-se que, anteriormente, ele era conhecido pelos nativos como Iruri, “rio que treme” – talvez por suas águas turbulentas”, descreve o portal.

O madeira apresenta tantas dificuldades para os navegantes que, no início dos anos de 1900, optaram por construir uma ferrovia para não ter que enfrentar seus trechos encachoeirados.

Quando a última tentativa de construção da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré começou, em 1907, Porto Velho surgiu como novo núcleo de povoamento. Nasceu na beira do Madeira, entre trilhos, borracha, suor e sangue.

Cidade construída também a partir da lenda do Eldorado, a capital é indígena, boliviana, inglesa, africana, norte-americana, grega, peruana, libanesa, caribenha e muitas outras.

Fonte: G1

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